Book Review: Godsgrave: O espetáculo sangrento, do Jay Kristoff

Escute-me, Niah. Escute-me, Mãe. Esta carne, o teu banquete. Este sangue, o teu vinho. Esta vida, este fim, minha oferta a ti. Leva-a para perto de ti.
Autora: Jay Kristoff
Páginas: 592
Editora: Plataforma 21
Tradutor: Clemente Pereira
Ano: 2018
Onde encontrar: Amazon
Nada une mais uma família do que uma agradável tarde de massacres. Nascimento. Vida. E morte. É assim que cantamos a jornada de personagens heroicos. Porém, a dona desta trama, não é uma heroína com a qual se está acostumado. Mia Corvere – o pequeno corvo – é a encarnação da vingança.
Nas viragens passadas, ela era apenas uma discípula da seita de assassinos mais temida da República de Itreya. E, embora tenha falhado no teste final, foi a única capaz de resgatar o ministério da Igreja Vermelha do golpe traiçoeiro dado pelos legionários luminatii.
Mia, enfim, foi ungida Lâmina. Agora ela é uma serva da Mãe da Noite. E cada vida que executa é uma oração para a Nossa Senhora do Bendito Assassinato.
Mas não pensem que a garota se esqueceu daqueles que destruíram sua família, e cujo sangue realmente quer ter em suas mãos. Para saciar sua sede de vingança, a assassina será capaz de sair do caminho que a Igreja trilhou para ela, e seguir sua própria vontade. Usando de suas artimanhas, Mia Corvere fará de tudo para se tornar uma gladiatii – escravos de lutas que batalham até à morte.
Com demônios feitos de sombras ao seu lado, nosso pequeno corvo vai decorar as arenas de vermelho e vísceras. Por sangue e glória, os louros de cada vitória vão aproximá-la ainda mais dos algozes de seu pai e do espetáculo sangrento com o qual ela sempre sonhou. Em Godsgrave, a República está prestes a cair.
Em Godsgrave, vamos acompanhar Mia na sua jornada para matar aqueles que mataram sua família quando criança. Se passaram 1 ano (não sei ao certo, já que o autor descreve o tempo de forma diferente na obra) após o primeiro livro, Mia está ainda mais forte, porém, com ainda mais perguntas sobre o seu poder de invocar as sombras. Claro que, a todo momento vamos ver suas emoções a flor da pele, amor, raiva e dor. Nem mesmo o autor com as suas milhares notas de rodapé solta algo sobre o que vamos encontrar durante a leitura.

Os céus nos concedem apenas uma vida, mas pelos livros vivemos mil.
Eles são assassinos, claro que sim! Não tem santidade nenhuma no que a Igreja Vermelha faz. Eles matam gente por dinheiro. Metade dos membros são psicopatas e o resto é um bando de desgraçados sádicos. Eles não são servos da sublime Deusa da Noite. São prostitutas!
Quando a Igreja Vermelha envia Mia em uma missão, não imaginavam que a inimiga da Igreja poderia encontrar Mia, e ainda por cima revelar o maior e mais importante segredo que o ministério da Igreja Vermelha escondeu da jovem. Assim que a nossa assassina descobre, fica sem chão e querendo se vingar daqueles que disseram ser seus tutores e professores, de todos que disseram ser seus amigos. 
– Talvez achassem que eu nunca fosse descobrir? Talvez Cassius tenha ordenado que o Ministério me treina-se por ser sombria? Talvez o filho da puta do Scaeve achasse que seria divertido? Ou talvez tenham pensado que depois de matar gente o bastante, de ficar fria o bastante, eu não me importaria mais?
 Contudo, como se faz para matar o seu maior inimigo – Julius Scave, e a Igreja onde tem os melhores Assassinos de toda a República de Itreya? Simples, Mia bola um plano de entrar num torneio de gladiatii – onde escravos de luta batalham até à morte.
Ela fez um circulo, contemplando o mar de rostos, as aclamações ébrias de sangue, o trovejar dos pés. E, por um minúsculo instante, ela deixou de ser Mia Corvere, a órfã, a sombria assassina, a encarnação da vingança. Abriu os braços, pingando vermelho na arena e passou a ouvir a multidão urrar em resposta. E, apenas pelo tempo de um folego. ela se esqueceu de quem era.
E é assim que vamos acompanhar Mia na sua atual missão de destruir a Igreja, matar Scave e ainda descobrir mais sobre o mistério que envolve os sombrios. E claro, não posso deixar de citar o plot twist que o autor dá em cada parte do livro, segredos e mais segredos que nem eu e nem você poderia imaginar.
Não posso dizer que o autor não se superou nesse segundo livro, porque seria um eufemismo. Através de uma escrita contagiosa e violenta, e com uma narrativa sem escrúpulos Jay Kristoff é capaz de nos fazer chorar e amar ainda mais o segundo volume da trilogia. Fez o leitor mudar de opinião sobre determinados personagens, da noite para o dia. E falando em dia, vamos finalmente saber o mistério que envolve os três sóis na cidade. 
Os muitos eram um. E serão de novo; um sob os três, para erguer os quatro, libertar o primeiro, cegar o segundo e o terceiro.
Como nem tudo é flores, vamos ter mais mortes e mais romance. Com as folhas brancas em mais um edição, a editora fez a maravilha de acrescentar mais um mapa no livro, mostrando o Ninho do Corvo, onde praticamente toda a história se passa.
– Meu pai costumava dizer que a arte de contar histórias consiste em saber quando parar. Se você falar demais, vai descobrir que não existe final feliz.
Infelizmente, a sinopse já dá muito spoiler do que vamos encontrar no livro, então só posso dizer que é um dos melhores e o mais esclarecedor (até chegar no terceiro livro).

Espero que tenham gostado do Book Review do segundo livro da trilogia. E me digam se já leram algo do autor.

Beijoss, e até a próxima!!

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